Paz, progresso e liberdade <br>são valores actuais
Na passada sexta-feira, 23, centenas de jovens rumaram à cidade de Évora para participar no Acampamento pela Paz, que decorreu no fim-de-semana nas Piscinas Municipais.
Centenas de jovens de todo o País participaram no acampamento
Organizado pela Plataforma 40x25, que reúne mais de 50 associações – entre elas a Juventude Comunista Portuguesa e a Interjovem/CGTP-IN –, o acampamento teve como elemento central a afirmação dos valores da paz e da amizade entre os povos e do 25 de Abril. Sempre com a música, a cultura, o desporto e a alegria própria da juventude.
No primeiro dia, à recepção aos participantes seguiu-se o jantar nas piscinas. Tendo como característica fundamental o envolvimento dos jovens de todo o País na cidade que durante três dias o acolheu, o Acampamento pela Paz propiciou concertos na Praça do Giraldo: na sexta-feira, actuaram os Terraza e o Projecto Bug.
No segundo dia, o mote para a manhã foi o desporto, com torneios de várias modalidades, entre elas o voleibol, o basquetebol e o futebol. Os que ainda não conheciam Évora e o quanto de bonito ela tem tiveram a oportunidade de participar nas visitas guiadas à cidade e aos cromeleques existentes nos arredores.
Durante a tarde, todos os que estiveram no acampamento puderam assistir e participar no debate subordinado ao tema «70 anos da vitória sobre o nazi-fascismo», que deu azo a várias intervenções de representantes das diversas associações que compõem a Plataforma 40x25, que colocaram questões fundamentais, num exercício de memória cada vez mais necessário.
Aprender com a história
Depois da introdução ao debate, feito pelo representante da Associação de Estudantes da Escola Secundária Sebastião e Silva, de Oeiras, foi a vez de Laura Almodôvar, em nome da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), referir a urgência de lutar pelos valores da paz, que são valores de Abril. Perante uma plateia jovem, a activista antifascista falou ainda sobre a URAP, as suas causas e iniciativas, garantindo que ela não é apenas a associação dos que resistiram ao fascismo, mas de todos – incluindo jovens – que nos dias de hoje lutam pela liberdade e a democracia e contra o fascismo.
No que diz respeito aos 70 anos da vitória sobre o nazi-fascismo, ficou assente que não foi um «acaso da história, mas sim uma forma violenta de corresponder aos ensejos das classes dominantes». Assim, acrescentou Laura Almodôvar, se nos «esquecermos estamos condenados a repetir a história». A representante da URAP aproveitou a ocasião para recordar a realização de uma grande iniciativa, o «Comboio dos 1000», que levou mil jovens europeus ao Campo de Concentração de Auschwitz, na Polónia, para dessa forma mostrar o que foi o terror ali vivido, perpetrado pelas forças nazi-fascistas. A jovem activista da URAP lembrou ainda a participação, no dia 8 de Maio, numa sessão comemorativa dos 70 anos da libertação do campo pelo Exército Vermelho.
Vozes de luta
Também o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) se fez representar no debate, através da sua dirigente Marta Antunes, que abordou na sua intervenção a necessidade de, nos dias de hoje, travar as agressões do imperialismo e defender a paz e a soberania dos povos. Já Sara Vargas, da Associação Amizade Portugal-Cuba, trouxe um pouco mais de informação sobre o ataque do grande capital e do imperialismo, que tem Cuba como um dos alvos principais.
Novamente esteve presente um representante do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), que falou da importância da mobilização contra os promotores da guerra no Médio Oriente. Um dos exemplos mais flagrantes, garantiu, é o do Estado de Israel que há décadas agride e oprime o povo palestiniano. Entre as muitas intervenções realizadas no debate, ressalta ainda a de Helena Casqueiro, da JCP, que sublinhou que a «história ensina que há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que se organiza» e luta contra o avanço da agressão imperialista e a favor de um mundo de cooperação e de paz, com futuro para os jovens e com direitos para os trabalhadores.
Desporto, cultura e descanso
No sábado, depois do jantar, realizou-se o desfile pela Paz, em que centenas se juntaram para, nas ruas da cidade de Évora, afirmarem não só o acampamento mas todos os valores que o caracterizam e tornam único no País. No final do desfile, intervieram o vereador da Câmara Municipal de Évora, Eduardo Luciano, e Alma Rivera, candidata da Juventude CDU às próximas eleições legislativas. O dia terminou com mais concertos na Praça do Giraldo, desta feita dos Mind is Dead e de NTS.
O Acampamento pela Paz terminou no domingo com mais um momento de desporto, o torneio de pólo aquático, com a pintura de um mural e com os campistas a aproveitar o sol e as piscinas de Évora.